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Cilada ou Salvação? O que você precisa saber antes de fazer um empréstimo no cartão de crédito

O cartão de crédito é, para muitos, o melhor amigo do consumo imediato. No entanto, quando as contas apertam e o saldo bancário chega a zero, ele assume uma nova faceta: a de banco de empréstimos. Mas será que utilizar o limite do cartão para obter dinheiro vivo ou parcelar faturas é uma jogada de mestre ou um passo em direção ao abismo financeiro?

Neste guia completo, vamos analisar as entranhas do empréstimo via cartão de crédito para que você decida se ele é a sua salvação momentânea ou uma cilada de longo prazo.

As Duas Faces da Moeda: O que é esse empréstimo?

Diferente de um empréstimo pessoal tradicional, onde você solicita um valor e ele cai na conta após análise de crédito, o empréstimo no cartão pode ocorrer de três formas principais:

  1. Saque com Cartão de Crédito (Cash Advance): Você vai a um caixa eletrônico e retira dinheiro usando o limite do cartão.

  2. Empréstimo sobre o Limite: Algumas operadoras oferecem um valor à parte, que utiliza o limite disponível do seu cartão como “garantia”.

  3. Parcelamento de Fatura: Quando você não consegue pagar o total e o banco oferece o parcelamento do saldo devedor.

Por que parece "Salvação"? (As Vantagens)

Para quem está no olho do furacão financeiro, o cartão de crédito oferece atrativos que outros bancos dificilmente conseguem superar em termos de agilidade:

1. Disponibilidade Imediata

O crédito já está lá. Você não precisa passar por um gerente, assinar papéis físicos ou esperar dias pela aprovação. É o dinheiro mais rápido do mercado.

2. Sem Burocracia para Negativados

Muitas vezes, se você já possui o cartão e o limite está liberado, a operadora não faz uma nova consulta profunda ao SPC ou Serasa para permitir o saque ou o parcelamento.

3. Conveniência

Tudo é feito pelo aplicativo. Em poucos cliques, um saldo que era “limite de compras” se transforma em “dinheiro na conta”.

Por que pode ser "Cilada"? (Os Perigos)

Aqui é onde mora o perigo. A facilidade de acesso tem um preço, e geralmente ele é o mais alto do sistema financeiro brasileiro.

1. Os Juros Estratosféricos

Enquanto um crédito consignado pode cobrar 2% ou 3% ao mês, o crédito rotativo e o parcelamento de fatura podem ultrapassar facilmente os 14% ao mês. No acumulado anual, isso vira uma bola de neve impagável.

2. Imposto sobre Operações Financeiras (IOF)

Muitas pessoas esquecem que, ao transformar limite em dinheiro, há incidência de IOF de crédito e IOF diário. Isso encarece o montante logo no primeiro dia.

3. Comprometimento do Limite de Compra

Se você tem R$ 5.000 de limite e pega R$ 3.000 de empréstimo, seu limite para compras emergenciais (como farmácia ou mercado) cai drasticamente. Você fica “engessado” até quitar as parcelas.

O Efeito "Bola de Neve"

Como o pagamento desse empréstimo vem na fatura seguinte, se você não conseguir pagar o total da fatura + a parcela do empréstimo, você entrará no crédito rotativo. Esse é o cenário onde a maioria das pessoas perde o controle financeiro.


O Comparativo de Taxas (Estimativa)

Modalidade Juros Médios (Mês) Custo Total
Consignado 1,8% a 2,7% Baixo
Empréstimo Pessoal 4% a 7% Médio
Empréstimo Cartão (Parcelado) 8% a 12% Alto
Crédito Rotativo (Atraso) 14% + Altíssimo

 

Check-list: Antes de apertar o botão "Contratar"

Faça a si mesmo estas três perguntas cruciais:

  1. Existe outra alternativa? Você já verificou a antecipação do Saque-Aniversário FGTS ou um empréstimo consignado? Ambas as opções costumam ser 4x mais baratas que o cartão.

  2. O valor cabe na fatura do mês que vem? Lembre-se que o empréstimo não substitui seus gastos mensais; ele se soma a eles.

  3. Qual é o CET (Custo Efetivo Total)? Não olhe apenas para a taxa de juros. Veja o valor final que você terá pago ao terminar as parcelas. Se pegou R$ 1.000 e vai pagar R$ 2.500, a cilada está armada.

Conclusão: Salvação com Moderação

O empréstimo no cartão de crédito é como um extintor de incêndio: deve ser usado apenas em emergências extremas e por um curto período de tempo. Usá-lo para gastos supérfluos ou como extensão do salário é o caminho mais rápido para o superendividamento.

Se você precisa de dinheiro agora, a regra de ouro é: fuja do rotativo. Se for usar o cartão, opte pelo empréstimo parcelado com parcelas fixas, que ao menos permitem uma previsão orçamentária, e tente quitar o contrato o quanto antes para abater os juros.

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